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Aquele do lubrificante e da balconista

2 years ago

Se tem uma coisa que eu e essas minhas parceiras de aventura gostamos de falar é sobre sexo, e não pensem vocês que a gente tem pudor no assunto, quando a gente fala a gente escracha mesmo o verbo.

Outro dia estávamos reunidos em um pub e cada um de nós relatava algumas das fantasias mais pornográficas que se possa imaginar, foi então que surgiu o assunto sobre sexo anal, um grande tabu para muitos brasileiros e brasileiras.

Saibam vocês que esse assunto aqui na Europa é tratado com muita naturalidade, inclusive o beijo Grego, mas esse eu comento outro dia, prefiro não chocar tanto nesse momento queridos leitores e leitoras. Mas voltando ao foco, que seria o sexo anal, após muito se falar sobre o assunto, porque fazer, quando fazer, se dói se não dói, se é sujo ou limpo, enfim muitas das meninas ficaram curiosas em querer experimentar mais essa relação tão usada entre o mundo gay e porque não no dos héteros mais espertinhos também.

sem tabu* Foto da Internet.

Claro que eu tive de desmitificar alguns mitos, mas nos dias de hoje as coisas estão mais simples e claras, na questão de dor é óbvio que dói, assim como qualquer outro tipo de relação que será realizada pela primeira vez e que se você não estiver relaxado não lhe trará prazer. Para isso, existem certos artifícios que facilitam a relação, um brinde aos lubrificantes que hoje em dia dominam o mercado.

gel-lubrificante* Imagem da Internet.

O assunto foi tão empolgante que uma das meninas ficou tão interessada que resolveu experimentar com uma de suas paqueras, já que o dito cujo a meses vem pedindo isso e ela sempre recusava. Sendo assim lá vai eu e ela na farmácia em busca desse relaxante muscular, o lubrificante.

Ok, estamos na Europa como eu já havia mencionado e que o povo aqui não liga para essas coisas, mas pode não parecer eu ainda tenho vergonha em certos assuntos íntimos e cá para nós é um tanto constrangedor ir a uma farmácia procurar por lubrificantes ainda mais quando a língua deles é diferente da nossa, parece que a gente vai pedir o produto e eles vão ficar pensando “hummm, vai dar diferente hoje esperinho/a”. Mesmo assim fui na boa com minha parceira de festa comprar o tal gel, até para deixa-la mais relaxada e menos envergonhada, essa era a intenção principal.

Chegamos a farmácia e a mesma estava vazia apenas com um atendente, começamos a procurar nas prateleiras para ver se encontrávamos alguma coisa ou até mesmo o mais popular entre os lubrificantes e nada, nesse instante o balconista percebe que estamos à procura de algo e vem ao nosso encontro. O rapaz até que era bonitinho com os seus vinte e poucos anos e muito interessante, mas tínhamos de ter foco na missão e minha amiga foi direto no assunto, meio envergonhada, mas perguntou onde ficava a sessão de lubrificantes.

Num primeiro momento ele meio que ficou olhando para ela com um ponto de interrogação na cara e a gente não tinha entendido se ele não tinha compreendido a pergunta ou se ele estava espantado. Uma pausa de poucos segundos e ele pediu um instante. Pessoal eu juro a vocês que eu pensei que ele iria buscar, mas ele se vira para o balcão e chama pelo colega em voz alta perguntando onde que ficava a sessão de lubrificantes.

Nesse instante eu praticamente mergulhei por detrás de uma das prateleiras enquanto minha amiga ficou ali parada feito uma estátua. Por de traz do balcão aparece um homem avantajado com uma cara um tanto estranha e pergunta novamente o que minha amiga procurando, foi ela abrir a boca para dizer “lubrificantes” e a farmácia encheu de clientes, parecia uma excursão de tanta gente que entrou naquele momento. O homem ao invés de ser discreto começou a procurar pelas prateleiras falando em voz alta o tempo todo “lubrificante, lubrificante, lubrificante…”.

mulher-com-vergonha* Foto da Internet.

Beleza a gente entendeu que ele estava querendo nos ajudar, mas precisava ficar anunciando para todos dentro da farmácia que nem feirante no fim da xepa!!! Após alguns minutos de muito constrangimento ele vira-se para nós e diz com todas as letras “Eu acho que nós não temos”. Vocês têm noção disso, será que esse povo não tem controle de estoque para saber se tem ou não o produto dentro do estabelecimento, enfim saímos putos da vida com aquele vexame. Mas a gente não se deu por vencido, fomos a outra farmácia, dessa vez escolhemos uma mais popular pois percebemos que redes menores não oferecem de tudo.

Entramos na segunda farmácia, essa já especializada em também cosméticos e mais uma vez ficamos horas procurando pelas prateleiras o dito cujo do lubrificante, foi quando apareceu uma senhora beirando seus quase cinquenta anos ou mais, com cara de religiosa, podendo ser viúva, mãe de cinco filhos e que não deve fazer sexo a anos, perguntando se precisávamos de ajuda.

Dessa vez foi eu quem perguntei sem gaguejar, se fosse para enfrentar a véia que seja de uma única vez. “Estamos procurando lubrificantes, vocês tem?”, disse eu e a senhora gentilmente disse, “Sim, temos vários, qual a marca vocês procuram?”. Quando ela disse vários, pedi para ver, quais seriam esses vários pois fiquei curioso uma vez que  na minha cabeça só existia um.

sexo na irlanda* Foto da Internet.

A senhora nos levou em uma sessão no canto da farmácia que mais parecia um sex shop de tanta coisa para sacanagem. Para ajudar ainda mais, ela ficou nos explicando cada tipo de gel, além dos outros brinquedinhos que por lá se encontravam. Confesso ter ficado um tanto quanto intrigado e ao mesmo tempo assustado com tanta informação vindo da boca dela.

Após decidirmos qual a marca levar, fui obrigado a perguntar a ela de onde ela tinha tanta informação e ela delicadamente me disse. “Meu jovem, eu sou uma mulher casada a mais de 30 anos e as mulheres de hoje em dia devem se aprimorar para garantir o seu parceiro fixo. Quem gosta de passado é museu, eu quero mesmo é estar à frente com essa garotada curtindo o que tem de melhor junto com o meu marido”.

Após essas palavras saímos mais confiantes e sem pudor no quesito, sexo. Se para uma senhora acima de cinquenta anos sexo anal é a coisa mais comum do mundo, porque nós que nem chegamos aos trinta temos de ficar criando barreiras, viva a sacanagem 😀

Os textos publicados neste quadro: “Crônicas do meu amigo Gay” são de responsabilidade do autor convidado.

Enquanto isso, vamos colocar o nosso batom na mala e seguir a nosso viagem.

Alessanda Assis | Batom na Mala

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