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Aquele do Dinamarquês e do Jô

2 years ago

Muita gente que chega na Europa sonha em encontrar o príncipe encantado, e se ele for dinamarquês, melhor ainda, pois a maioria dos príncipes da Disney são inspirados nos homens daquela região, lindos, loiros e de olhos azuis.

Principes da Disney

Mas se você pensa que os homens do outro lado do pacífico são estilos os nossos brazucas de sangue caliente, vocês estão muito enganadas. Aquele ditado que diz que os homens das bandas de cá não tem atitude para chegar em alguém é a mais pura verdade, sendo assim o que nos resta é a tecnologia.

Graças ao mundo moderno com os seus smartphones, hoje temos um infinito número de aplicativos que podem nos auxiliar nessa busca implacável e o mais popular deles seria o famoso Tinder, ou Tinderela como se referem as minhas adoráveis companheiras de aventuras.

Não pensem vocês que o Tinder é de exclusividade dos héteros, nós gays e simpatizantes, também possuímos uma boa fatia desse aplicativo e foi em um dia desses, junto com as meninas, que eu encontrei um dinamarquês e que agora eu vou dividir a história desse encontro com vocês.

Tinder

Lembro me como se fosse hoje, o dia que ele respondeu a minha mensagem, foi um tremendo alvoroço entre todos nós, até porque havíamos olhado o perfil e as fotos dele no aplicativo e ficamos todos apaixonados.

O cara era simplesmente um Deus Nórdico, além de simpático, atencioso e muito paciente já que o meu inglês ainda estava no “beginners”. Uma das coisas que fez a gente enlouquecer foi quando ele comentou que estava morando em Dublin apenas para fazer um intercâmbio de três meses na embaixada da Dinamarca, não que isso fosse importante, mas era inevitável de não achar o máximo.

Eu e ele ficamos dias conversando e trocando informações pelo aplicativo, e as meninas acompanhavam cada diálogo, até que resolvi marcar um encontro informal, apenas para nos conhecermos, afinal de contas esse é o objetivo de quem entra nesses aplicativos, e ele aceitou gentilmente.

Data e horário marcado chega o dia, eu suava frio, já havia imaginado mil coisas, as meninas praticamente estavam me montando para esse encontro, foi um festival de usa isso com aquilo que cai bem que parecia que eu estava indo para o meu casamento. Local do encontro, um restaurante onde duas das meninas trabalhavam, caso algo de constrangedor acontecesse elas poderiam me salvar discretamente, mas enfim lá fui eu.

Como regra geral do nosso grupo do whatsapp, todas as informações seriam passadas instantaneamente para que todas pudessem acompanhar o desenrolar do encontro.

Já que o encontro era no local de trabalho de duas das minhas soldadas, outras duas resolveram aparecer e acompanhar o desenrolar da história, enquanto que as demais ficariam conectadas via mensagem minuto a minuto. Estávamos todos apaixonados pelo dinamarquês e todas queriam muito conhece-lo, parecia cena de filme de espionagem americano na Europa.

Enfim, chego eu ao compromisso muito bem alinhado, me dirijo a mesa na qual minha amiga, que era responsável pelas reservas, havia preparado. Ela já de antemão informou que o convidado ainda não havia chego. Logo em seguida chega a segunda soldada com o cardápio em mãos já explicando o que seria mais recomendável para o encontro e explicando que dependendo do pedido ela entenderia que era para ela descobrir um meio de me tirar de qualquer situação embaraçosa, enfim, um festival de técnicas para que tudo saísse bem.

O tempo passa e nada do dinamarquês, começo a imaginar que levei um toco, fico meia hora sozinho na mesa enquanto que o WhatsApp bombava em mensagens entre as meninas e eu apenas acompanhava meio cabisbaixo. Com o passar das horas começo a desanimar, enquanto as meninas já estavam arrumando um segundo encontro, conforme elas mesmo falavam, eu não havia me arrumado à toa para levar um fora, porem o desanimo começava a tomar conta da minha empolgação.

Não demora muito recebo uma mensagem do rapaz pedindo desculpas por estar atrasado mas avisa que está chegando em poucos minutos, comunico as meninas por mensagem e elas rapidamente se aprontam.

Enfim ele chega e a primeira a conhece-lo é a que trabalha na recepção, sua mensagem no grupo é clara e objetiva “Ele chegou”. Em seguida a que atende as mesas se dirige a recepção para acompanha-lo até a minha mesa e posta no grupo “Estou levando ele para o seu encontro, mas antes vou passar pela mesa das meninas”. O cara mau passa pela mesa das meninas e uma escreve “Ele lembra alguém”, e a segunda retruca “Sim uma pessoa famosa”. Eu já começo a ficar ansioso com tantas mensagens e nada do cara na minha frente.

De repente minha amiga o traz até a mesa e ele se apresenta, eu fico olhando claramente para ele analisando cada mensagem enviada. Sim ele chegou, ele parece com alguém, uma pessoa famosa… Ele se parece com o Jô Soares, loirinho, fofinho, de barba, óculos redondo e gravata borboleta, bem diferente de um príncipe da Disney, mas com uma grande qualidade, atencioso e carismático igual ao Jô.

jo-soares

Confesso que esperava realmente alguém com as características de um príncipe dos contos de fada, afinal de contas as fotos dele mostravam uma pessoa de outro ângulo, mas fotos são fotos e a gente nunca deve idealizar uma pessoa apenas por uma imagem.

Foi interessante conhece-lo pessoalmente para depois ter uma segunda opinião.Nossa conversa soou maravilhosamente e cativante, ele era sim aquela pessoa que me mandava as mensagens, inteligente, educado e de bom papo. Ficamos horas conversando sobre todos os temas e assuntos, eu nem imaginava que meu inglês estava tão bom para um encontro. Acredito que se o cara fosse tão completo como eu esperava eu não teria passado tanto tempo com ele naquela noite.

Esse foi apenas um de muitos encontros que tivemos, pena que tudo que é bom dura pouco e ele teve de voltar para o seu país. Mantemos contato até hoje e de uma coisa eu sei tenho uma pessoa adorável para visitar quando for a Dinamarca.

A mensagem que eu quero deixar é que não existe príncipe encantado, mas sim pessoas especiais e o que vale é o que elas têm a nos oferecer. O que adianta ser uma pessoa bonita por fora e sem conteúdo por dentro, que fique como exemplo o filme “O Amor é Cego”. Então não crie falsas expectativas através de uma imagem, aposte apenas no que o seu encontro tem a oferecer e depois tire suas próprias conclusões, de uma coisa eu lhe garanto a sua companhia poderá lhe surpreender.

Sucesso e bons encontros ou “Dates” 😀

Os textos publicados neste quadro “Crônicas do meu amigo Gay” são de responsabilidade do autor convidado.

Enquanto isso, vamos colocar o nosso batom na mala e seguir a nossa viagem.

Alessanda Assis | Batom na Mala

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