Bandeira da dinamarca

Ano novo na Dinamarca – uma história “cabulosa”

10 Mêses ago

Ok, eu sei que a maioria das pessoas querem fazer alguma coisa legal na virada do ano  e comigo não foi diferente. A 2 anos atrás, era a virada de 2014 para 2015, o ano tinha sido maravilhoso, cheio de coisas boas, foi também o ano do meu intercâmbio e eu queria algo bom e novo para entrada de 2015 e por isso combinei com algumas amigas um mochilão pela Europa.

Eu e mais 3 girls organizamos uma viagem de 13 dias com destino agendado para 5 países, tudo me dava uma sensação muito gostosa, era a primeira vez fora de casa no período de comemorações de final de ano, era o primeiro Natal sozinha e por isso respirei fundo, juntei todas as minhas moedinhas e coloquei meu batom na mala.

ale assis batom na mala

Pronto, #partiumochilar.

Os primeiros países foram ótimos… fotos, conversa, vinho quente, frio, comida local, hostel, novos amigos, descobertas, muita neve, enfim tinha de tudo um pouco. No meio da viagem perdemos 2 parceiras que precisavam voltar para Dublin para trabalhar, então eu e uma amiga seguimos firme e forte com destino a Dinamarca para a tão grande e histórica virada do ano.

Durante o trajeto rumo a Dinamarca ficávamos pensando nos loirinhos Dinamarqueses igual o Caco Antibes do Sai de Baixo falava, riamos, sentíamos muito frio, fazíamos planos para a noite do dia 31.

Assim que chegamos na Dinamarca o frio estava foda, temperaturas negativas, um pouco de neve… Fomos direto para o hostel, o plano era deixar as mochilas que estavam bem pesadas, tomar um banho para aquecer o corpo, ir ao supermercado comprar bebida e sanduíche (porque vida de mochileira é assim, sanduba e mijão), só que chegando no hostel a recepcionista nos informou que o mesmo estava com super lotação, e que ela tinha somente 2 vagas porém em quartos separados, sendo um em quarto feminino e uma em quarto misto. Bom, a gente não tinha muita opção, era isso ou dormir na rua, aceitamos.

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Minha amiga foi para o quarto feminino e eu para o quarto misto, deixamos as coisas, compramos bebidas e voltamos para o hostel, estávamos cansadas,  quase congeladas, mas animadas para festejar durante a noite. Cada uma seguiu para seu quarto para dar uma descansada e se arrumar.

Quando cheguei no meu quarto coloquei minhas coisas na cama, era um quartinho minúsculo mas bem limpinho com 6 camas. Tinha um rapaz sentado na cama do lado, com várias bebidas em uma bolsa bem grande, ele tirava e colocava as bebidas na sacola, como se quisesse chamar a minha atenção. Eu como não sou nem um pouco tímida já logo soltei um “Hi, my name is Alessandra, how are you doing?”, na mesma hora ele veio todo pimpão e começamos a conversar.

O rapaz era da Lituânia, um país pequeno na Europa, ele era bem simpático, mais muito convencido, me disse que tinha como tradição viajar sozinho todo ano novo, ele falou que a meta dele era conhecer toda a Europa, e que fazia questão de realizar o sonho no Reveillon, que isso o deixava motivado para todo o ano. Achei muito legal e ficamos conversando sobre viagens e a besta aqui não dormiu ou descansou para a virada do ano. Bom, conversa vai, conversa vem ele me ofereceu uma cerveja (já que a minha bebida estava no quarto da minha amiga), não deu outra, começamos a beber e ele começou a me perguntar coisas sobre o Brasil, me perguntou coisas que todo gringo pergunta, sobre o RJ, sobre carnaval, sobre Amazônia, sobre futebol, política, samba e por fim se toda brasileira era quente como todo mundo dizia. Eu dei uma risadinha e falei, bem os gringos gostam das brasileiras, mas não posso te afirmar se todas são quentes. Logo dei um jeito de mudar de assunto porque aquela conversa não estava me agradando.

Minutos depois minha amiga chegou com as nossa bebidas, e eu já tinha bebido quase todas as cervejas do rapaz. Muito sem graça, convidei ele para ir para a rua com a gente, procurar algum lugar para passar a virada e logo ele aceitou. Fomos para o hall do hostel e tinha uma galera lá, jogando sinuca, cantando, a maioria já estava bêbado, então abrimos uma garrafa de Vodka, e começamos a fazer vira vira com o gringo da Lituânia, ele só falava que não estava acostumado a beber e que estava muito forte, e eu e minha amiga ria e falava para ele beber que estava muito frio lá fora. Logo outros gringos se aproximaram e ai virou uma festa, o meu companheiro de quarto ficou um pouco enciumado porque as brazucas “dele” estavam fazendo a maior festa no hostel e ele começou a beber mais e mais para chamar a atenção…

Perto da meia noite fomos nós 3 para rua, qualquer pessoa que passava perto da gente eu e minha amiga bêbada gritávamos Happy New Year, e ninguém respondia a gente (até hoje estou na dúvida se a gente estava muito bêbada ou se o povo da Dinamarca é muito sério e não queria dar feliz ano novo pra gente)… Bom, teve a virada de ano, alguns fogos, nada de mais, aliás a única coisa que estava de mais era o álcool no sangue e o frio. Eu e minha amiga estávamos rindo até da folha que caia no chão e quando nos demos conta tínhamos perdido o gringo de vista.

Entramos num pub que parecia mega legal, fomos expulsas porque era festa particular (que fase), entramos no outro e só tinha velho, mas velho mesmo, aí saímos, andamos mais um pouco e nada. Desistimos e voltamos para o hostel, porque lá pelo menos era quentinho e a gente podia continuar bebendo.

Quando a gente chegou no hostel o gringo da Lituânia estava lá, sozinho, comendo macarrão, parecia um esfomeado que tinha saído da guerra, tentei falar um oi mas ele nem olhou na minha cara, acho que estava muito bêbado. Eu e minha amiga fizemos amizade com outras meninas, elas estavam no meu quarto e eram de Amsterdam… A noite foi uma delícia, dançando e jogando sinuca num hostel maneiro cheio de gente de todos os lugares do mundo.

Quando deu uma certa hora, quase pela manhã não aguentei e fui dormi, minha amiga como tinha descansado ficou mais um pouco. Cheguei no quarto o Lituano estava dormindo feito um anjo, eu fui ao banheiro tirei a maquiagem, escovei os dentes, troquei de roupa e voltei para o quarto, outras 2 camas também estavam ocupadas com pessoas dormindo. Entrei caladinha e dormi também.

Bem de manhã cedinho acordei, na verdade não acordei porque queria, tinha apenas poucas horas 2, 3 horas no máximo que eu tinha deitado, acordei porque meu organismo em estado de auto defesa me acordou… Socorro vou vomitar!

Pensei que estava passando mal, mas não, eu estava bem, era outra coisa, rodei na cama, tentei dormi, mas não dava, algo estava errado, ainda bêbada, meio dormindo fui procurar meu celular para ver as horas e aí me dei conta que o quarto fedia muitooooooooooooooooooooooo. Acho que tenho até que colocar mais “O” no muito para vocês entenderem o tanto que fedia. Parecia que tinha alguém morto, um defunto em decomposição, uma carniça que não tinha explicação.

Peguei o celular e iluminei o lugar, eu fazia vômito, não aguentei, levantei e acendi a luz, com isso as outras meninas acordaram, eu disse a elas que tinha uma coisa estranha no quarto, e eu continuava fazendo vômito e elas também. Corri e abri a porta enquanto a outra abria a janela, e a gente não entendia o que estava acontecendo.

Saímos do quarto desesperadas, eu fui para o banheiro porque pensei que ia chamar o “juca” ali mesmo, as meninas foram para a recepção procurar alguém para ver o que estava acontecendo. Quando voltei não vi mais ninguém… e agora, o que será que aconteceu eu me perguntava, será que ainda estou bêbada? Será que é um sonho? Gente o que era aquele fedô?

Voltei para o quarto, quando abri a porta advinha?! Não era sonho, a carniça estava lá, firme e forte… entrei correndo, catando minhas coisas, (como sou desorganizada minhas coisas estavam todas espalhadas, demorei a vida para tirar tudo), eu corria pegava umas coisas tacava no corredor, respirava e entrava de novo para tirar o resto, fiz isso em umas 5 levas. Quando olhei para o lado vi o lituano dormindo feito um anjo, tadinho, fiquei com dó, porque as vezes o organismo dele não era bom como o meu e ele não acordou com a catinga, fui e gritei o nome dele (não me lembro agora) e ele nada, nem se mexia, eu quase chorando com vontade de vomitar gritava, fulano acorda, você vai morrer aqui dentro. E o gringo nada, parecia que nem respirava. Então eu apelei e  coloquei a mão no ombro dele, juro eu queria muito salvar aquela alma do futum de carniça, e finalmente ele se mexeu e a cobertinha que o cobria caiu no chão e foi ai que eu vi a gravidade da situação.

O gringo da Lituânia tinha se cagado todo! Gzuuuuisss Cristin, ele tava que era bosta pura!!! Tinha merda na perna, na roupa, nas costas em tudo… Eu entrei em estado de choque, não sabia o que fazia, fiquei paralisada olhando aquela cena, sério perdi a reação, acho que fiquei dopada com tanto fedô.

Sai do quarto, fui no corredor procurar por socorro, olhava para todos os lados e não via ninguém e nisso minhas roupas jogadas no chão do lado de fora do quarto, uma cena linda.

Pensei este gringo está morto, só pode e a culpa é minha que enfiei cachaça no c@#%? dele. Minha consciência ainda bêbada falava que eu tinha que fazer alguma coisa. Voltei para o quarto e nada dele acordar, tentei de tudo, juro e nadaaaaa. Liguei para minha amiga desesperada que ainda bêbada ria da minha cara achando que eu estava brincando.

Juntei todas as minhas coisas, fui para a recepção de pijama e mochila nas costas e contei o que tinha acontecido, pedi ajuda para a menina, eu não sabia o que fazer. A bonita da recepcionista contou para todo mundo e em poucos minutos o corredor ficou lotado e o lituano dormindo na mais profunda bosta.

Vários funcionários do hostel tentaram acordar ele, mas o bichinho seguia dormindo e eu rezando para ele não morrer. A multidão tirou fotos, riam, zoavam e eu quase chorando com aquela cena do boy cagado na minha mente e no meu nariz.

Troquei de roupa e fui fazer um passeio com minha amiga para ver se esquecia aquela situação, quando voltei para o hostel fui informada que o lituano tinha desaparecido, que provavelmente ele tinha pulado a janela e o muro porque ele não tinha saído pela porta do quarto porque tinha uma pessoa do hostel esperando para conversar com ele na hora que ele acordasse.

Resultado, nunca vou saber se matei o gringo de cachaça… Fato é que ele vai sempre se lembrar da meta dele de comemorar o ano novo viajando, a Dinamarca será com certeza um lugar inesquecível para ele e tenho a certeza mais que absoluta que ele nunca mais vai querer conhecer uma brasileira na vida dele.

Lembre-se no ano novo está proibido beber vários tipos de bebida, fazer shots de Vodka, comer macarrão e ir dormir em um hostel na Dinamarca… Eu não quero que vocês fiquem cagadas como o boy, rs.

Enquanto isso, vamos colocar o nosso batom na mala e seguir a nossa viagem.

Alessanda Assis | Batom na Mala

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